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A rua feia

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08.06.2026

A casa era pequena e o chão alcatifado, mas, quando vimos que a cozinha se abria para a sala e a sala se desdobrava para um imponente terraço, não hesitámos; pouco tempo depois a chave do apartamento foi-nos entregue e começámos a pensar nos móveis.

No terraço — fantasiava eu — caberiam os amigos e talvez um cão. Tinha passado a infância a ouvir os latidos tristes dos cães, confinados às casotas de cimento que eram todas iguais: uns blocos encafuados, onde os animais cabiam com esforço. Podiam ser ainda mais longos os invernos dos bichos, que enfiavam o focinho entre as patas como se dissessem que estavam tristes. Sempre achei que lhes adivinhava a tristeza, mesmo sem os ouvir ladrar.

Naquele terraço, talvez eu pudesse ter um cão livre. Mas não seria no imediato. Os móveis foram chegando à casa e agora lembro-me que foi naquela cozinha pequena, em aquário, que cozinhei os meus primeiros pratos, ao lado do meu marido.

A casa não era do tamanho da minha ansiedade; sempre precipitei os finais para não ter de esperar por eles, por isso a casa rapidamente ficou mobilada e pronta.

Chegávamos do trabalho, eu e o Tiago, e, com o sol do fim do dia,........

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