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A burocracia é que nos mata

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22.03.2026

Todos os anos é a mesma lengalenga: chegamos a Janeiro e os recibos da terapia da fala do meu filho mais velho começam a voltar para trás. A ADSE, para reembolsar uma parte do valor, exige que o médico volte a passar uma declaração que justifique a necessidade da terapia. E eu já tentei explicar que, atendendo a que o miúdo é surdo profundo, bi-implantado, vai precisar de terapia da fala até, pelo menos, à idade adulta. A surdez do Pedro, tal como todas as condições crónicas, não se vai curar milagrosamente (nem de outra forma qualquer) — aliás, a própria designação “crónica” já devia servir para atestar isto mesmo. Mas acontece que, neste país, a burocracia derrota sempre a lógica e, como tal, ninguém quer saber se a condição do miúdo é incurável — o que é preciso é entregar uma declaração. E para o ano outra. E assim sucessivamente até sabe Deus quando.


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