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A doença mental colectiva e a uberização da sociedade

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06.03.2026

No tempo em que a História foi substituída por uma sucessão de eventos (o evento, esse vocábulo anglófono, responde por uma característica de ordem compartimental, do mesmo modo que a tendência, mas numa escala minúscula), tal como postula Bauman em Estado de Crise, um perigo maior advém de, no mundo globalizante em que vivemos, as mudanças não traduzirem uma dinâmica global, mas recuperarem o antigo alcance local e individual, só que numa íntima interacção cada vez menos tipificada (aliás, a tipificação tornou-se a maior das “fragilidades” e é das dores de cabeça das ciências sociais modernas). A dicotomia local/global de meados do século XX, a que Benedict Anderson ou Claudio Guillén aludiram, sob pressupostos teóricos distintos, parecia ter encontrado na realidade das novas comunidades globais a sua síntese. Mas não. Se é somente nas questões locais, quando não nas interpessoais e individuais, que a nossa acção se constitui um acto distintivo, também é certo que a História individualizada suprime a formulação de teorias sociais.

Há dias, metido num veículo de serviço Uber, apercebi-me do catálogo de modalidades itinerantes. Seguia, aliás, moderadamente irregular ao........

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