O custo humano da polarização: quando a política toca nas relações pessoais
Há uma fronteira que durante décadas se tratou como evidente: a política ficava à porta de casa. Discutia-se no café, nas campanhas e nas eleições, mas a vida continuava nos jantares de família, nas amizades antigas e nos casamentos entre pessoas que votavam de forma diferente. Essa fronteira nunca foi perfeita, mas existia.
O fenómeno que hoje observamos não é de esquerda nem de direita. É simétrico na sua lógica, embora diferente nos argumentos. Em ambos os casos, o adversário político deixa de ser alguém com quem se discorda para passar a ser alguém com quem não se pode conviver.
O resultado é que a política, que deveria ser o espaço da negociação colectiva, colonizou o espaço da intimidade. Amizades terminam por causa de votos. Famílias evitam determinados temas à mesa. Relações deterioram-se por divergências sobre aquilo que deveria fazer o Governo. Há algo de estranho e preocupante nisto.
A pergunta raramente colocada é simples: o que perdemos quando isto........
