Os deputados gozam de imunidade para insultar quem lhes paga?
Pode um deputado eleito pelos portugueses ofender um cidadão sem consequências? Esta pergunta merece reflexão quando analisamos os recentes acontecimentos na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência. O momento em que o deputado Rui Cardoso, do Chega, se referiu ao influenciador Kiko Is Hot como uma "ave rara" não foi um deslize ou a simples utilização de retórica parlamentar. Foi o exemplo de como a política se pode transformar num exercício de bullying protegido pelo próprio Estado. Enquanto o deputado falava sobre a participação do influenciador num movimento de promoção da empatia e combate ao ódio nas escolas, liderado pelo eurodeputado socialista Bruno Gonçalves, a sua própria postura contradizia o propósito da iniciativa que criticava.
É importante sublinhar que esta ofensa não ocorre num plano de igualdade. O deputado desfruta de um estatuto de imunidade parlamentar que o coloca numa posição de vantagem perante o cidadão adjetivado. Esta proteção existe........
