Demasiado inteligentes para o nosso próprio bem?
“É estranho que esta coisa que é certa e comum a todos exerça quase nenhuma influência sobre os homens, e que estes estejam longe de se considerar irmãos na morte!”Nietzsche
Eis uma pergunta incómoda que atravessa a história do pensamento humano: e se aquilo que consideramos a nossa maior virtude for também a origem de muitas das nossas tragédias?
Desde cedo, aprendemos a celebrar a inteligência humana como o traço que nos distingue de todas as outras espécies. Foi a nossa inteligência que permitiu inventar a escrita, criar arte e ciência, construir cidades, atravessar e mergulhar nos oceanos e explorar o espaço. A História da Humanidade é contada como a história desse triunfo.
Basta olhar com alguma atenção para o presente para perceber que essa narrativa tem fissuras. Muitas.
A sofisticação tecnológica contrasta com a grande instabilidade moral e política; as guerras nunca saíram do centro da História e até se agravaram nos últimos anos; a empatia dissolve-se no estrépito das redes sociais; a infância é cada vez mais exposta a processos precoces de sexualização e consumismo; a atenção humana........
