A ciência da esperança
Perante a dimensão das crises da biodiversidade e do clima, pode parecer tentador acreditar que pouco podemos fazer. Mas a ciência mostra-nos precisamente o contrário: a natureza tem poder de recuperar e a mudança pode acontecer mais depressa do que pensamos. A oportunidade é real — e está ao nosso alcance responder à escala do desafio.
O já icónico Relatório Planeta Vivo da WWF, cuja edição de 2026 foi hoje lançada, revela que, entre 1970 e 2022, a dimensão média das populações de vida selvagem monitorizadas diminuiu 73%. Isto não significa que tenham desaparecido 73% dos animais do planeta, mas que as populações de espécies de vertebrados acompanhadas pelos cientistas são hoje, em média, significativamente mais pequenas do que eram há pouco mais de cinco décadas. É um retrato claro da pressão que estamos a exercer sobre a natureza e da urgência de mudar de trajetória.
Mas este relatório traz também uma mensagem de esperança. As populações de vida selvagem estão sob pressão, mas a recuperação está ao nosso alcance. Sabemos que a natureza responde quando reduzimos as pressões que exercemos sobre ela e criamos as condições para a sua recuperação. E temos provas concretas de que trajetórias que pareciam irreversíveis podem ser alteradas.
A determinação, o conhecimento e a capacidade de ação podem transformar sistemas que pareciam condenados ao declínio.
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Portugal tem um exemplo........
