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O eclipse do sol e a assunção de Maria

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15.08.2026

Ver um eclipse é um paradoxo, porque é ver … o que não se vê! Até há pessoas que compram uns óculos, não para ver, mas para não ver o Sol, pois o eclipse solar é isso mesmo, ou seja, o seu momentâneo desaparecimento por interposição da Lua.

É espantoso que um pequeno satélite seja capaz de tapar a estrela 400 vezes maior que preside ao sistema solar, quando ambas ficam, por uns 20 a 26 segundos, em linha com a Terra, de tal forma que a Lua oculta, total ou parcialmente, o Sol, que está umas 400 vezes mais distante. São raras as vezes em que este fenómeno astronómico acontece no nosso país – a última foi em 1912 e a próxima será em 2144 –, mas no passado dia 12 foi possível vislumbrar o fugaz desaparecimento do Sol, que foi total em Trás-os-Montes, mas parcial no resto do continente.

O eclipse tem uma fácil explicação científica, mas também é susceptível de uma interpretação teológica. Algumas religiões veneraram o Sol, como imagem e semelhança de Deus, e outras foram até mais longe, ao divinizá-lo: Rá, o Deus-Sol. Tendo em conta esta idolatria egípcia, não teria sido prudente que os cristãos tivessem usado o Sol para simbolizar Deus. A recorrente tendência para confundir o representante com o representado – Paulo chegou a ser tido por um deus (At 28, 1-6) –  fazia provável que a veneração pelo Sol, como imagem de Deus, evoluísse para a sua adoração.

Deus não se identifica com o Sol, mas é “a luz do mundo” (Jo 8, 12) que ilumina toda a realidade criada, que só em Deus encontra resposta para o mistério da sua origem, existência e fim, pois sem luz não há visão. Na transfiguração, a........

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