O SNS - Entre o Desgaste e a Excelência Invisível
Muito se escreve sobre o colapso do Serviço Nacional de Saúde (SNS). As manchetes focam-se nas esperas, na falta de recursos e no caos das urgências. No entanto, quem observar os registros publicados no portal de transparência, sobre o sistema referentes aos últimos três anos, percebe uma realidade diferente: o copo meio cheio em contraste com o copo meio vazio que tanto nos apregoam. Dentro dos meios (muitas vezes escassos) ao seu dispor, o SNS funciona e salva vidas todos os dias.
O segredo da sua sobrevivência não está nas instalações hospitalares, mas no factor humano e no choque geracional que o atravessa. A transição dos médicos do antigo regime para o de Dedicação Plena, criado em 2023, foi uma das maiores mudanças laborais recentes do SNS. Esta reforma teve como objectivo fixar profissionais no sector público, oferecendo maior remuneração em troca de maior disponibilidade e compromisso.As falhas do sistema são conhecidas e amplamente discutidas, mas é preciso reconhecer que as correcções estruturais, uma vez implementadas, exigem tempo, não podem ser alteradas conforme a cor política dos ministros da tutela,e que os recursos humanos são, por natureza, finitos.
Atualmente, o pilar invisível que sustenta o sistema é composto, em grande parte, por profissionais até aos 40 anos. É uma geração que entrou no sistema já consciente das suas limitações, mas que mantém o compromisso........
