Discurso de ódio, censura e senhor João Costa
Fabian Figueiredo, deputado do Bloco de Esquerda, reagiu ao atentado de Berlim, em que um terrorista islâmico fez aquilo que sabe, lamentando que “um carro tenha sido lançado contra uma multidão LGBT”. A criatura descreve pois o acto terrorista com a desfaçatez de quem vê um incêndio e informa, pesaroso, que houve uma alteração da temperatura ambiente.
A falta de vergonha emula o descaramento olímpico com que Ilan Omar, congressista “progressista” norte-americana, muçulmana e antissemita, descreveu o assassinato de quase três mil pessoas nas Torres Gémeas: “algumas pessoas fizeram alguma coisa”
Foi um carro, portanto. Um veículo possivelmente radicalizado entre duas revisões, talvez depois de passar demasiadas noites a consultar conteúdos extremistas na garagem. A identidade, a motivação e o contexto evaporaram-se. É provável que se o motorista fosse um “sionista”, o Sr. Fabian até tirava o carro da descrição.
Já o João Costa, ex-Ministro da Educação do PS e aparentemente candidato vitalício ao cargo de grande educador das massas, indignou-se a sério, não tanto com a natureza do ataque, mas com a reacção irónica de quem assinalou uma ironia kármica. A que resulta de os membros de uma manifestação LGBT, espécimenes de um ecossistema ideológico onde existem coisas como “Queers pela Palestina”, entusiastas da “intifada global” e flotilheiros devotos ocidentais de causas que os desprezam, terem sido atacados por um produto genuíno do universo ideológico que eles aplaudem.
A ironia é cruel, sem dúvida, mas a realidade é muito mais. Nos últimos 25 anos, mais de 700 pessoas foram mortas por islamistas, nas ruas dos países democráticos da Europa ocidental.
Perante os comentários que lhe desagradaram, João Costa concluiu que está na hora de “penalizar o discurso de ódio” e regular as redes sociais. É o reflexo condicionado do típico fanático progressista. Quando a realidade afronta a sua cartilha, o virtuoso de serviço não saliva, como o célebre cão do Dr. Pavlov, mas propõe que se castigue quem reparou na realidade.
Ou seja, o senhor Costa, tal como a maioria dos seus correligionários, aprecia muito a liberdade de expressão, desde que ela reproduza as opiniões aprovadas pelo breviário que o senhor Costa segue. Quando alguém se desvia do catecismo aprovado, arrochada neles: há que censurar, multar, prender, talvez encerrar no Campo Pequeno para que, por fim, se instale, o silêncio, como magnífico indicador de coesão social.
Obviamente, o senhor Costa reclama-se um indefectível defensor da liberdade de expressão, que é um direito extraordinariamente popular em abstracto. Toda a gente a defende, como defende a paz universal, as andorinhas e o fim da fome no mundo. Mas o entusiasmo diminui drasticamente quando alguém profere uma ideia falsa, grosseira, blasfema, absurda, ofensiva, desagradável, ou apenas contrária ao catecismo do ouvinte.
Para resolver o incómodo, vulgarizou-se o conceito de “discurso de ódio”, uma pequena maravilha da novilíngua woke, que permite........
