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Matar muito liberalmente

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27.07.2026

Há alguns dias, o parlamento francês aprovou a legalização da eutanásia. A notícia de mais uma legalização do homicídio ou suicídio terapêuticos já não espanta nem revolta e atinge o destinatário, até, com uma certa nota de inevitabilidade. É o espírito dos tempos, espírito de cada vez maior conformidade – e o espírito dos tempos, malfazejo que seja, dispõe sempre de considerável força. Aliás, para orgulho da nossa civilização, os Franceses chegam atrasados: o nosso periférico país já tem uma lei da eutanásia, que, embora permaneça como relíquia sem uso, ostenta ao mundo o nosso progressismo.

No entanto, é ainda espantoso para mim que se continuem a aprovar leis que legitimam o homicídio de certas categorias de cidadãos, grosseiramente delimitadas como boas candidatas à administração burocrática da morte. É espantoso, porque as experiências que decorrem neste profícuo campo de experimentação, na Holanda, na Bélgica, no Canadá, revelam factos tão perturbadores e tão contrastantes com todas as juras de aplicação excepcional, restrita e segura da morte terapêutica, que apenas se pode presumir uma de duas explicações: ou que os responsáveis não estudaram compreensivamente essas experiências; ou que, conhecendo-as, verdadeiramente não se incomodam.

Se não se incomodam, talvez estejamos a tratar com aquela espécie de liberalismo, entranhada mesmo em muitos dos que não se consideram liberais, que, para todos os........

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