Setembro
Assim que se aproxima o ano lectivo, de vez em quando, tenho a felicidade de me achar nos corredores de material escolar das grandes superfícies. Sempre adorei o aroma predominante: a plástico, aparas de lápis, borracha, papel. Nunca ajudei ninguém a aprender a ler nem a escrever, excepto eu mesma, nem levei ninguém à escola, a não ser eu mesma e, em certo sentido, nunca saí da escola.
Quando saí da universidade, onde passei quinze anos, regozijei-me com o facto de passar a estar de férias para sempre. A vida passou a ser essas férias grandes perpétuas, sem necessidade de retomar em Setembro, sem as alegrias e as ansiedades do Outono. Mas vejo agora que mentia a mim própria, visto que uma pessoa de férias para sempre é alguém cujo ano civil persiste dominado pelo calendário escolar. Continuo a sentir que a véspera de ano novo é a noite de catorze para quinze de Setembro. E está inscrita até ao fundo de mim, por mais que........
