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Os primeiros anos

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19.06.2026

Cresci numa casa sem saudade do passado, de regressados de África sem nostalgia, à qual regresso a todo o momento. Havia poucos sinais do Hemisfério Sul pela casa, nem máscaras, nem estatuetas, nem mapas. A infância era livre e conduzida com mão firme. A avó ia buscar-me à escola, fazia-me o almoço, dormíamos a sesta. Recordo gestos e hábitos cheia de uma saudade que não foram os avós que me ensinaram. O chá pelas cinco. A ceia, de chá de camomila e bolinhos. O apetite da avó para os doces, à medida que foi envelhecendo, “apetece-me alguma coisa doce”, era o que dizia. Expressões da avó, “Alto!”, se o perigo se aproxima, “Pronto, pronto”, se nos estamos prestes a comover e como modo de impedir que tal aconteça, ou se nos estamos a desdobrar em demasiados agradecimentos ou a entrar por intimidades escusadas. Essa foi a casa da literatura: os avós são os leitores da minha vida, que liam romances antes de se deitarem e durante o dia e me deixavam ler livros de adultos.

Aos dez anos, com grande cerimónia, a avó ofereceu-me As Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Era quase tão importante como já........

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