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Davos errou, Carney acertou, Trump recuou

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24.01.2026

Davos é o encontro anual da elite política e económica global na Suíça. É uma forma inteligente e barata de um pequeno Estado europeu recuperar centralidade estratégica. Há muito que defendo que Portugal devia organizar o “seu Davos”, por exemplo no campo da segurança marítima. Temos o potencial para ser uma ponte, mas para isso temos de investir alguma coisa nos alicerces. Em vez disso preferimos estar dependentes dos humores dos donos da Web Summit. Trump foi eleito com uma retórica de rejeição da elite global e “globalista”, o que está a fazer então em Davos? Claramente, a sua real queixa era não ser bem aceite no meio, e como tantos outros populistas gosta da adoração do povinho, mas prefere a companhia lucrativa de bilionários.

O tema de Davos este ano era o “espírito do diálogo”. O Financial Times, que é suposto perceber bem a elite global, traduziu da gíria de Davos: os idiotas estão no poder e é preciso falar com eles. Mas Davos estava errado. Quem esteve certo em Davos foi o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. O seu discurso foi aplaudido de pé, mas a grande questão é saber se os líderes europeus vão continuar de pé, ou se voltarão a seguir o exemplo lamentável de “agachamento estratégico” de Mark Rutte. O antigo primeiro-ministro holandês foi eleito secretário-geral da NATO, mas age como se fosse o moço de recados de Trump. O último feito de Rutte parece ter sido esgalhar uma proposta nebulosa sobre a Gronelândia com o presidente dos EUA. Rutte garante que não foi discutida a cedência de soberania dinamarquesa, os trumpistas dizem o contrário. O que é certo é a Dinamarca não esteve presente na discussão, foi meramente informada. Ninguém de bom senso questiona a necessidade de os países europeus falarem com os EUA, seja quem for o presidente. A respeito cabe dizer que o governador da Califórnia, Gavin Newson, foi a Davos mostrar que o disparate na política norte-americana não é monopólio de ninguém, ao atacar os europeus para não fazerem o trabalho de oposição eficaz a Trump que lhe cabe a ele e outros líderes do Partido Democrático fazer. Eu sempre fui um grande defensor da aliança com os EUA, mas não tenho vocação masoquista, e nunca vi vantagem analítica em confundir desejos e........

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