As Lajes são nossas e o sebastianismo no MAI
As recentes ações militares dos EUA no Médio Oriente mostraram que as bases norte-americanas na Europa não são um favor aos europeus. São uma enorme mais valia para os norte-americanos. Isso deve ser deixado claro aos EUA, e que o seu uso não é um dado adquirido, depende da boa-vontade dos aliados. Também tivemos a nomeação do novo Ministro da Administração Interna, muito elogiada, mas ignorando alguns problemas sérios.
Uma rede global de aliados
Os EUA têm mais de 700 bases e outras instalações militares por todo o Mundo. Essa rede de bases, assente numa rede de alianças, é uma grande vantagem relativa dos EUA face à outra grande potência emergente. A China tem, oficialmente, apenas um aliado, a Coreia do Norte, e uma base militar no exterior, no Djibuti, desde 2017. Mas Pequim está a expandir a sua rede de acordos e instalações de duplo uso, nomeadamente, na Ásia, em África, e no Pacífico. A Rússia tem um par de bases na Síria e pouco mais, além de uma presença em África, no Sahel, do Sudão ao Mali, por via do Africa Corps (uma nova etiqueta para o Grupo Wagner, mas sempre fiel ao tema nazi, tão querido à Rússia imperialista de Putin).
Em junho de 2025, quando Trump decidiu atacar o programa nuclear iraniano com bombardeiros B2, muitos sublinharam o facto notável de terem voado durante mais de 30 horas a partir de bases no território dos EUA. Mas isso não teria sido possível sem esta rede de bases – nomeadamente as Lajes, no meio do Atlântico Norte – a permitir o seu abastecimento em voo e o uso de outros meios indispensáveis à segurança da missão. Mais, para reduzir o risco representado pela retaliação iraniana muitos meios e pessoal norte-americanos foram retirados de bases mais vulneráveis no Médio Oriente, para a retaguarda segura das bases na Europa. A presença de cerca de 60.000 militares dos EUA na Europa – de um total de mais de um milhão e trezentos mil – é muito útil para dissuadir potenciais agressões contra os aliados europeus, como uma forma de concretizar e tornar mais credível o compromisso de Washington com a defesa coletiva da Aliança Atlântica, mas também o é para permitir e sustentar uma projeção mais rápida e eficaz do poder militar dos EUA em África, no Médio Oriente, no Oceano Índico.
Sabemos, pelo planeamento estratégica norte-americano, que as Lajes são das bases mais importantes para os EUA. É assim pelo seu papel no controlo de uma vastíssima região do........
