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Sexo e dinheiro: o que a sua libido tem a ver com a sua liberdade

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10.04.2026

Talvez o título desta coluna tenha te deixado intrigada. E talvez seja até a primeira vez que você esteja lendo a minha coluna por causa dele. Sexo e dinheiro, à primeira vista, parecem assuntos distantes, como se cada um morasse em um cômodo diferente da vida. Mas não moram. Sexo e dinheiro têm muito mais em comum do que a maioria das pessoas imagina. E não, eu não estou falando da forma rasa, moralista ou apressada com que esse tema costuma ser tratado. Estou falando de energia. Estou falando do que essas duas forças representam na nossa psique, no nosso corpo e na maneira como nos sentimos vivas no mundo.

Dinheiro, antes de ser luxo, é energia de sobrevivência. É ele que garante casa, comida, deslocamento, escolha, dignidade e uma sensação mínima de segurança para existir. E quando uma pessoa está aprisionada no medo da falta, o corpo entende uma mensagem muito clara: agora não é hora de relaxar, é hora de sobreviver. Um corpo em estado de escassez dificilmente consegue se abrir com facilidade para o prazer. Ele fica mais atento, mais rígido, mais ocupado tentando dar conta do básico. É como se a vida interna entrasse em modo de contenção. E, quando isso acontece, o desejo muitas vezes não desaparece por falta de amor, mas por excesso de preocupação.

É por isso que tantas mulheres, quando estão esmagadas pelo cansaço, pela sobrecarga e pela insegurança financeira, não conseguem acessar libido, presença e entrega com a mesma fluidez. Não porque haja algo errado com elas, mas porque o corpo está focado em manter tudo de pé. Está focado no trabalho, na conta que vence, na responsabilidade, no medo do amanhã. E eu não estou generalizando todas as mulheres, porque existem, sim, aquelas que em momentos de escassez acabam recorrendo ainda mais ao sexo, às vezes como tentativa de alívio, validação, vínculo ou fuga. Mas a pergunta que me atravessa é outra: isso é prazer de verdade? Isso é presença? Isso é gozo? Ou o corpo até participa, enquanto a alma continua distante?

Ontem tivemos um encontro lindo de mulheres no Magia da Deusa, e o tema principal foi merecimento. Merecer sentir prazer. Merecer ter dinheiro. Merecer descansar. Merecer viver até o ócio sem culpa. E foi muito forte perceber como essas palavras se encontram dentro do corpo feminino. Porque o que mais conversamos ali não foi apenas sobre abundância financeira, mas sobre a experiência íntima de poder ir e vir, de fazer escolhas, de comprar o que se deseja com o próprio dinheiro, de não precisar se diminuir para caber numa relação, de não precisar pedir permissão para existir. E tudo isso, sim, está profundamente ligado ao prazer na cama, à entrega da intimidade e à forma como uma mulher se sente dentro da própria pele.

Quando uma mulher sente que pode contar consigo, algo nela relaxa. Quando as contas estão minimamente organizadas, quando a vida não está o tempo todo em estado de ameaça, a psique deixa de operar só no modo sobrevivência. Então a energia começa a circular em outras camadas da existência. Há mais espaço para presença, para criatividade, para fantasia, para prazer, para erotismo, para descanso. Não porque dinheiro compre desejo, mas porque autonomia e segurança devolvem ao corpo a possibilidade de sair da trincheira e voltar a florescer. Um corpo que não está tomado pelo medo respira diferente. Caminha diferente. Ama diferente. Goza diferente.

Conversando com essas mulheres, percebi ainda mais o quanto o dinheiro faz parte da nossa vida íntima. Da nossa entrega na cama. Da nossa capacidade de relaxar diante do outro. Para algumas, viver financeiramente amparada pelo parceiro pode ser confortável, pode ser agradável e, em certos casos, pode até funcionar bem quando existe respeito, admiração e escolha consciente dos dois lados. O problema não está, necessariamente, na divisão financeira. O problema começa quando a dependência cobra o preço da identidade. Quando essa mulher não é vista. Quando não é admirada. Quando não é cortejada. Quando não tem liberdade de escolha. Quando não pode ser quem é. Nesses casos, não adianta ter comida na mesa se a alma está faminta. Segurança sem admiração, sem liberdade e sem reconhecimento pode até parecer conforto, mas muitas vezes é apenas uma gaiola silenciosa.

E talvez seja esse um dos retratos mais tristes que eu encontro. Mulheres vivendo relações de dependência financeira nas quais não conseguem ser elas mesmas. Mulheres que não conseguem relaxar na cama. Que não conseguem gozar. Que talvez nunca tenham vivido um gozo verdadeiro. Mulheres que, na tentativa de encontrar proteção, foram se esvaziando até se tornarem funcionais para o outro e ausentes para si. Mulheres que servem, cedem, silenciam e sustentam uma imagem, mas por dentro carregam um vazio enorme. Como se tivessem trocado a própria liberdade por uma promessa de segurança. Como se tivessem ganhado uma casa, mas perdido a chave de si mesmas.

Porque sexo e dinheiro se encontram justamente aí: no valor que eu sinto que tenho. No quanto eu me autorizo a receber. No quanto eu me sinto digna de prazer, de abundância, de descanso, de admiração, de amor e de presença. Tanto o dinheiro quanto a sexualidade tocam regiões profundas da nossa história. Merecimento. Poder pessoal. Autonomia. Segurança. Troca. Valor. Prazer. E quando uma mulher cresce ouvindo que precisa depender, agradar, suportar, se sacrificar ou se diminuir para ser amada, isso não afeta só a conta bancária dela. Afeta também a forma como ela ocupa o corpo, como ela pede, como ela recebe, como ela sustenta o próprio desejo e até o quanto ela se permite sentir prazer sem culpa.

Este texto foi escrito para mulheres. Mas, se você é homem e está lendo esta coluna, eu quero te dizer algo com muito carinho e muita verdade: incentive a independência da sua parceira. Incentive o brilho próprio dela. Incentive que ela faça algo que ame, que tenha o próprio dinheiro, que descubra do que é capaz, que ocupe o mundo com mais liberdade. Não tenha medo da autonomia feminina. Uma mulher livre não ama menos. Uma mulher admirada não se afasta por ter asas. Muito pelo contrário. Quando uma mulher se sente livre para ser quem é, ela floresce. E quando, além de livre, ela se sente admirada pelo parceiro, ela se torna jardim. Um jardim vivo, perfumado, cheio de presença, cor, beleza e borboletas.

No fim das contas, talvez sexo e dinheiro falem menos sobre posse e mais sobre fluxo. Sobre o quanto a vida consegue circular dentro de nós sem ser interrompida pelo medo. E talvez a pergunta mais importante não seja apenas quanto dinheiro você ganha ou quantas vezes você transa. Talvez a pergunta mais profunda seja: o quanto você se sente livre para existir, desejar,

receber e florescer? Porque uma mulher que se sente segura, admirada e dona de si não movimenta apenas a própria conta bancária. Ela movimenta a própria energia de vida. E quando essa energia volta a fluir, tudo nela muda. Inclusive o jeito de amar. Inclusive o jeito de gozar. Inclusive o jeito de viver.

E eu quero te fazer um convite. No dia 28/05, às 19h, teremos o nosso próximo encontro no Espaço Mani. Uma nova oportunidade para mulheres que desejam se reconectar com a própria potência, ampliar a consciência sobre merecimento, abundância e prazer, e florescer com mais liberdade na própria vida. Porque uma mulher que se permite receber não transforma apenas a relação com o dinheiro. Ela transforma a relação consigo mesma.

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