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O Despertar do Prazer

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27.03.2026

Confesso que é quase impossível ser humana da melhor forma possível. Talvez seja por isso que o Tantrismo tenha me fascinado desde o primeiro encontro, porque ele me devolveu à presença de ser quem eu sou. À coragem de habitar o meu corpo com mais verdade. À delicadeza e à força de sentir com mais inteireza. De me conectar profundamente. De fazer sexo com prazer. De viver com paixão, plenitude, humanidade, humildade, sabedoria e uma gratidão sem limites.

No fundo, eu sinto que todas nós estamos buscando a mesma coisa: libertação. Crescer para além das nossas limitações. Nos tornarmos versões melhores, mais inteiras, mais verdadeiras de nós mesmas. E, sendo muito sincera, eu sei que essa travessia pede amparo, consciência e toda ajuda que eu puder acolher.

Porque o verdadeiro crescimento não acontece só quando a gente aprende algo novo. Ele acontece quando temos coragem de olhar para dentro e fazer amizade com as partes de nós que foram rejeitadas, esquecidas, escondidas ou banidas ao longo da vida. A parte que deseja. A parte que sente falta de toque. A parte que tem vergonha. A parte que quer viver com mais intensidade. A parte que ainda se sente errada por sentir demais. E eu acredito que uma das coisas que mais feriu homens e mulheres ao longo do tempo foi justamente a repressão do corpo, da sensibilidade, da sexualidade e do prazer.

Quando falo nesse sistema, não estou aqui para apontar culpados, nem levantar bandeiras. Apenas reconheço que fomos moldados por uma lógica que, durante muito tempo, reprimiu o corpo, o desejo, a sensibilidade e o prazer. E isso não feriu só as mulheres. Feriu os homens também. Porque ensinou mulheres a sentirem culpa pelo que desejam e ensinou homens a se afastarem da própria sensibilidade. No fim, esse mesmo sistema atravessou a todos nós, criando medo de sentir, rigidez no corpo e distância da nossa verdade mais íntima.

Freud já falava, de uma forma muito importante, que a sexualidade não é uma parte pequena da nossa vida psíquica. Ela atravessa a forma como amamos, desejamos, fantasiamos, reprimimos e até adoecemos. Quando desejos, impulsos e emoções são reprimidos, eles não desaparecem simplesmente. Eles encontram outros caminhos para se manifestar. Às vezes aparecem como ansiedade, como angústia, como irritação, como conflitos internos, como sintomas que a pessoa nem consegue explicar direito. E eu acho isso tão importante, porque tem muita gente vivendo um sofrimento emocional profundo sem perceber o quanto foi ensinada a cortar pedaços de si para caber no que era considerado aceitável.

Na minha percepção, Freud ajuda a gente a entender que a ansiedade muitas vezes nasce desse conflito entre o que eu sinto e o que eu acredito que posso sentir. Entre o impulso e a censura. Entre a vida querendo passar e a rigidez tentando controlar. E existe também uma tristeza silenciosa em viver longe de si mesma. Em passar tanto tempo desconectada do próprio desejo, da própria vitalidade, da própria pulsação. Como se algo dentro fosse perdendo cor, calor, entusiasmo e presença. Como se a alma fosse ficando em voz baixa, enquanto o mundo exige desempenho, pressa e controle.

E é justamente aí que o corpo entra com ainda mais força. Porque o corpo não esquece o que a mente tenta organizar. Ele registra. Ele protege. Ele endurece. Muitos dos ensinamentos que vieram depois, inclusive influenciados por Reich, partiram dessa compreensão de que o corpo guarda a nossa história emocional. Que aquilo que não pôde ser vivido, chorado, sentido ou expresso, muitas vezes se transforma em tensão, em bloqueio, em contenção. A garganta aperta. O peito fecha. A respiração encurta. A pelve se retrai. O ventre silencia. E a pessoa vai se afastando, pouco a pouco, da própria capacidade de sentir prazer, desejo, presença e até alegria de viver.

Eu acho isso tão delicado de perceber, porque muitas vezes a mulher não está quebrada, nem fria, nem sem libido como aprendeu a acreditar. Muitas vezes ela só está cansada de se defender. Cansada de sustentar uma imagem. Cansada de tentar ser correta demais, forte demais, disponível demais, bonita demais, controlada demais. Cansada de ter aprendido que o desejo precisa ser domesticado para ser aceito. Cansada de viver em alerta. Cansada de habitar um corpo que, ao invés de casa, virou trincheira.

E o mais duro é que esse peso aparece de muitas formas. Existe o peso de desejar e achar que isso é feio. O peso de ter fantasias e achar que isso é errado. O peso de querer viver o prazer de forma mais livre e se sentir julgada por isso. Mas existe também o peso de não desejar. O peso de não sentir libido. O peso de não conseguir se abrir para o prazer, para o amor, para o toque, para a vida. E quase sempre isso vem coberto de crenças, medos, tabus, culpas, histórias familiares, traumas, silêncios e aprendizados muito duros.

Às vezes o corpo até quer sentir. Às vezes ele pede. Às vezes ele implora por presença, por afeto, por liberdade. Mas são tantas cascas, tantas camadas, tantos nãos recebidos ao longo da vida, que o corpo vai ficando frio, estagnado, defensivo. Como se sentir fosse pecado. Como se desejar fosse perigoso. Como se o prazer tivesse sido colocado do lado errado da existência. Como se ser uma mulher viva, pulsante e desejante ainda fosse uma ameaça, quando na verdade é apenas a vida querendo florescer por dentro.

Só que eu não vejo o prazer como inimigo da consciência. Muito pelo contrário. Eu vejo o prazer como uma ponte. Uma ponte de volta para o corpo, para a verdade, para a presença, para a vitalidade. E não estou falando só do prazer sexual. Estou falando do prazer de respirar fundo sem culpa. Do prazer de habitar o próprio corpo com dignidade. Do prazer de sentir um toque sem precisar se justificar. Do prazer de descansar. Do prazer de se emocionar. Do prazer de rir sem se conter. Do prazer de ser quem se é sem tanta vigilância interna.

Talvez uma das maiores violências que fizeram com a gente tenha sido nos ensinar a desconfiar do próprio corpo. Nos ensinar a acreditar que a mente deve mandar e o corpo deve obedecer. Que o desejo precisa ser contido. Que o prazer é algo menor, sujo ou perigoso. Mas um corpo sem prazer não perde só a excitação. Perde também presença, espontaneidade,brilho, criatividade e conexão com a vida. Perde a dança fina entre sentir e existir. Perde a intimidade com aquilo que há de mais verdadeiro dentro de si.

Por isso, para mim, falar de prazer é também falar de cura. É falar de reconciliação. É falar de voltar a ocupar o corpo como casa. É falar de deixar a energia da vida circular outra vez. É falar de desaprender culpas que nunca foram nossas. É falar de derreter, aos poucos, as couraças que nos mantiveram vivas, mas que também nos afastaram da pulsação mais bonita da existência.

Talvez a grande pergunta não seja apenas por que está tão difícil sentir prazer. Talvez a pergunta mais honesta seja: quantas partes de mim eu precisei abandonar para ser aceita? E será que agora eu consigo, com mais amor e menos julgamento, começar a chamá-las de volta?

E eu quero te fazer um convite. No dia 09/04, às 19h, vou realizar o evento Magia da Deusa, uma experiência para você se reconciliar com o seu corpo, despertar a sua potência e cultivar ainda mais abundância em sua vida. O valor de troca é de R$ 88,00. Quem sabe esse não seja o seu momento de voltar para si com mais amor, presença e verdade? 

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