Saudoso Coreto
Havia um coreto aqui em frente ao Colégio Júlio de Castilhos, o popular “Julinho”, bem no centro da Praça Piratini, bairro Santana, na “mui leal e valorosa" cidade de Porto Alegre. Em algum lugar do passado, nesse mesmo coreto aconteciam muitas apresentações de corais, bandas de sopro, grupos de choro e de samba, enfim, quando a cultura popular que florescia no país estava em ascensão e as divisões sociais ainda não tinham se tornado incontornáveis. Por fim, nos últimos anos, com a decadência da cultura popular e o abandono dos espaços públicos, substituídos pelos espaços virtuais mais estéreis e “mais seguros” o coreto caiu em desuso e acabou se tornado um abrigo para os moradores de rua, também conhecidos por sem-teto, no caso o abrigo se tornou atrativo, justamente porque tinha teto, aliás, os moradores de rua, todos, sem exceção, procuram locais cobertos, sejam marquises ou algo parecido e chegam mesmo a disputá-los, deveriam se chamar moradores sem-paredes, mas por ironia estão emparedados pela miséria absoluta e pela condenação sumária a ela, por uma sociedade sem compaixão.
O coreto, abandonado pela administração pública, se tornou então um símbolo da naturalização da miséria e do abandono, a que chegou para ficar e se espraiar pelas cidades do Brasil e do mundo, com a imposições da doutrina ultraneoliberal, onde é cada um por si e salve-se quem puder. O poder da........
