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Um caminho que se confirma

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25.03.2026

Regressámos de Toruń, da 21.ª edição dos Mundiais de Pista Curta, com uma das melhores participações de sempre do atletismo português. Duas medalhas de ouro, uma de prata, cinco recordes nacionais e, sobretudo, a confirmação de uma geração que sabe ao que vai quando entra em pista.

Vivi estes dias por dentro, lado a lado com a nossa comitiva, e não posso estar mais satisfeito. Este sucesso começa muito antes das provas. Começa no espírito de equipa, na forma como atletas, treinadores e staff se unem em redor de um objetivo comum. O ambiente que se viveu em Toruń foi extraordinário, de entreajuda, de confiança, de verdadeira família. E isso, muitas vezes, faz a diferença nos momentos decisivos.

Não é surpresa para mim. Tenho dito que Portugal tem dos melhores atletas do mundo, a qualidade está lá. E eles demonstraram-no, uma vez mais, no maior palco. O mais importante foi perceber que todos contribuíram para este resultado histórico, mesmo aqueles que não subiram aos pódios.

Tudo isto ganha ainda mais dimensão quando nos lembramos das limitações que enfrentamos. Não temos as melhores condições, nem as infraestruturas que outros países possuem, nomeadamente uma arena capaz de receber competições de primeiro nível. E, ainda assim, competimos de igual para igual. Isso deve orgulhar-nos, mas também desafiar-nos: o que poderemos alcançar quando dermos aos nossos atletas tudo aquilo que merecem a nível de infraestruturas?

O regresso a Lisboa ficou marcado por um momento simbólico e de reconhecimento institucional, com a receção no Palácio de Belém pelo senhor Presidente António José Seguro. Foi um sinal claro de que o país valoriza, orgulha-se deste caminho, destes resultados e destes atletas.

Este é também um momento de inspiração para os mais jovens. Que vejam nestes atletas um exemplo e uma meta a alcançar.

E, por falar em exemplo e em campeões, não posso deixar de sublinhar uma palavra para João Vieira. Aos 50 anos, continua a competir ao mais alto nível, a ganhar e a bater recordes. É a prova de que o talento, quando aliado à paixão e ao trabalho, não tem prazo de validade.

O que vivemos em Toruń foi a afirmação de uma cultura, de um espírito e de uma paixão. E eu tenho a certeza: estamos no caminho certo para voltarmos a viver muitas mais alegrias como estas.


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