Galerias, Coleções e Museus: exemplos de hibridez no sistema da arte
O sistema da arte é completo e complexo, tendo-se robustecido após a II Guerra Mundial e, muito em particular, ao longo das últimas décadas, com o aparecimento de novas instituições, agentes e uma maior diversidade de profissionais afetos ao setor. Não obstante este alargamento, que vai das geografias à maior hibridez dos contextos e das formas de participação e pertença, poucos proprietários de galerias de arte conseguiram fazer a transição do mercado de arte para a criação de instituições museológicas duradouras.
Entre os que conseguiram há três exemplos a destacar: Ernst Beyeler, Helga de Alvear e Yvon Lambert, que conseguiram reunir coleções excecionais de arte contemporânea que, posteriormente, deram origem a museus com os seus nomes. Em comum, partilham uma visão de longo prazo: colecionar não apenas obras importantes, mas testemunhos fundamentais da criação artística do seu tempo, colocando-os ao serviço dos públicos.
Ernst Beyeler (1921–2010) fundou, em Basileia, a Galerie Beyeler em 1945, tornando-se um dos galeristas mais respeitados do mundo. A sua reputação assentou na qualidade excecional das obras que comercializava e na relação de confiança que estabeleceu com artistas, colecionadores e museus. Foi igualmente um dos impulsionadores da internacionalização da Art Basel, a maior e mais relevante feira de arte do mundo.
Ao contrário de muitos colecionadores, Beyeler reuniu um conjunto relativamente contido, mas extraordinariamente seletivo de artistas, privilegiando obras-primas do modernismo e da arte contemporânea. A coleção inclui obras de Cézanne, Monet, Picasso, Matisse, Giacometti, Rothko, Francis Bacon, Barnett Newman, Andy Warhol e Gerhard Richter, entre muitos outros.
Em 1997 abriu a Fondation........
