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A autodeterminação como retrocesso civilizacional

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25.03.2026

O dogma mais impregnado na mentalidade moderna é o pressuposto da soberania absoluta do indivíduo, que põe e dispõe sobre si próprio na convicção de que se basta. Porém, à medida que avança no caminho, confiante em si mesmo e devoto de uma moralidade autorreferencial, ignora que os erros que comete e os prejuízos que provoca (a si e a outros) vão sendo sistematicamente absorvidos, compensados e apagados por terceiros. Podemos dizer que este dogma está impregnado na mentalidade moderna porque ele afecta a generalidade das acções humanas, das mais complexas às mais triviais.

Isto é especialmente evidente entre os jovens que foram socializados dentro deste paradigma. Foram habituados a assumir este dogma como algo auto-evidente, sobretudo devido a um ensino centrado na segurança emocional, à substituição do exercício de autoridade dos pais por relações de negociação e permissividade, à linguagem dominante que coloca o indivíduo e a autenticidade pessoal como centro de tudo, sem esquecer, por fim, o brutal efeito das redes sociais, responsáveis como gerar a sensação de que a identidade pessoal e as relações sociais são editáveis e reversíveis.

Na prática, existem inúmeros reflexos deste dogma no quotidiano. Eles apresentam-se como um conjunto de pequenas disposições e expectativas que moldam a forma como se encara o risco, a responsabilidade e as consequências das escolhas. Pensemos em alguns exemplos muito contemporâneos: a ligeireza com que se desrespeita um prazo, confiando que será garantida uma segunda oportunidade; o hábito de reclamar uma avaliação elevada com base no esforço despendido e não na qualidade objectiva do trabalho; a........

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