Ucrânia e Irão. Duas faces do mesmo projeto
Como na Ucrânia, em que os interesses de Washington não coincidiam com os de Kiev, também na guerra que opõe os EUA ao Irão, os interesses de Washington não coincidem com os de Telavive. Tanto num caso como noutro, o comportamento norte-americano encontra-se subordinado à consecução de uma grande estratégia de hegemonia global, não abandonada pela Administração Trump, enquanto o da Ucrânia e de Israel insere-se numa estratégia de âmbito local e/ou regional.
Na Ucrânia, os EUA pretendiam desencadear uma mudança de regime em Moscovo e instalar uma liderança dócil no Kremlin, atuando em três vetores: vertente económica, através das sanções, tornar a Rússia um estado pária, isolando-a internacionalmente, e impor-lhe uma derrota militar, recorrendo ao sangue ucraniano, sem colocar soldados norte-americanos no terreno. Segundo Eric Green, membro do Conselho de Segurança Nacional durante a Administração Biden, numa entrevista à revista Time, “a vitória militar da Ucrânia não era um objetivo para Washington”. O objetivo norte-americano era provocar um desgaste prolongado e uma erosão na sociedade russa, que a fizesse soçobrar e assim atingir os seus objetivos.
Agora, enquanto Israel pretende decapitar o regime iraniano e colocar em Teerão um vassalo que lhe permita tornar-se na potência regional fazendo dos estados árabes entidades subordinadas – o que esteve quase a conseguir antes do 7 de outubro, uma vez estar a causa palestiniana adormecida e a........
