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Um pai perdido

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22.03.2026

Estávamos genuinamente no dia do Pai em Portugal, até noutros fusos horários, ontem pela dez da noite recebi do centro da Europa a voz do meu filho mais velho a dar-me os parabéns, estou cheio de saudades tuas, disse eu, também eu, respondeu ele lá da sua vida nos baixos países, isto hoje é assim, não é?

Aconteceram mais coisas, ontem.

Caída a noite, saí da sala da Universidade Nova, ia devolver a chave, mas estava um homem alto na portaria, à chuva, a explicar ao senhor Batista que não encontrava o carro, que procurava o carro há bem mais de uma hora, será que mo levou a polícia, eu paguei ticket até às seis, mas a consulta atrasou e agora o carro não está lá, e o simpático Batista apontava os braços, segue por ali, vire à esquerda, tente aquela outra rua, mas eu já andei em todo o lado, explicava o homem. Aprendi a descobrir, atrás de uma voz serena, os nervos que se partem num pescoço como fios de cobre, plinc, plinc, os muros caídos de uma alma desesperada, e fiquei ali de chave na mão a ouvir o misterioso desaparecimento do carro.

Eu........

© Jornal de Notícias