Acreditar no embuste
No documentário de Andres Veiel sobre Leni Riefenstahl, há duas cenas pavorosas. Numa delas, a realizadora, já velha (morreu com 101 anos), assiste ao "Triunfo da vontade", peça máxima de propaganda nazi. E encanta-se com as transições, a proeza técnica, os ângulos, as filmagens aéreas, a inovação da montagem. Perante nós, está uma mãe que revê imagens de um filho que já morreu.
O filho está morto num sentido muito próprio: a vida que ela lhe quis dar extinguiu-se com a tragédia do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Desde o fim do Terceiro Reich, Leni Riefenstahl passou o resto da vida a defender-se com duas teses inconciliáveis: a de que, sem qualquer........
