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O roubo

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31.05.2026

Sempre ouvi dizer que roubar é feio. Quando a minha tia se apaixonou pelo marido da sua vida inteira, a família toda não achou graça nenhuma. Menos meu pai, que se deitou ao caminho a chamar à razão daquela gente: “Então o rapaz é bandido, é algum ladrão? Não é”. Foram estas palavras sinceras e verdadeiras que eu ouvi da boca de minha tia, na ocasião do enterro de meu pai. Já se sabe que quando morre uma pessoa, vêm sempre à cabeça lembranças do defunto. António Aleixo também escreveu “Dizem que pareço um ladrão, mas há muitos que eu conheço, que não parecendo o que são, são aquilo que eu pareço.” Também nisto estamos entendidos. E agora vamos ao que é preciso, porque quando não, não me dá tempo para tudo.

Quando minha mãe era pequena, roubou uma pataca esquecida, no parapeito de uma janela da casa de uma das minhas tias mais velhas. Aquela pataca ali sem utilidade, e a triste de minha mãe podendo comprar na venda de João da Paz uma barrigada de bananas! Foi o........

© JM Madeira