De um lado a outro sem encontrar ilhas
Há trinta e cinco anos, escrevi um poema com este título – De um lado a outro sem encontrar ilhas –, que integrou uma antologia de poesia de autores madeirenses, daquelas feitas às três pancadas, com base em fotocópias. Apesar do caráter precário da publicação, eu cá fiquei muito orgulhoso por ver o meu textozinho impresso em letra de forma. Obra publicada é sempre motivo de orgulho, sobretudo na juventude, mesmo que não valha nada.
Entretanto, perdi o rasto ao poema e até pensava que o tinha queimado, mas a minha irmã encontrou-o há dias, no decurso do seu regresso à casa do Laranjal. Vou agora apresentá-lo aqui por extenso, embora no original, como é óbvio, as frases quebram em verso, num total de cinco dísticos, em rima livre.
No ângulo das montanhas nasce o sol num olho africano. Um corvo negro encosta-se à Pátria portuguesa. No outro ângulo das montanhas as rosas vermelhas impedem o continente. O homem hermético na parede faz de conta que........
