A morte é nada
“A morte não é nada. (...) O fio não foi cortado. (...) Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho”. Santo Agostinho
Quando revia papéis, catálogos, agendas, que foram da minha mãe, com intenção de os deitar fora, deparei-me com um pequeno bloco onde ela escrevera os contactos telefónicos dos que lhe eram mais chegados. Na letra C, lá estava o diminutivo do meu nome e, dentro de parênteses, o acréscimo (filha querida), seguido dos meus contactos. Como desfazer-me do bloco? Impossível. Guardei-o.
Depois, passei a tarde a remoer comigo própria: que sou piegas, que afinal não era mais do que um pedaço de papel. Mas aquele pedaço de papel tornou-se um laço que nos liga, tal como o seu número de telemóvel que continua no meu registo, apesar de saber que, se ligar, nunca será a sua voz a atender.
Nem a propósito, à noite, na........
