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Quando a lei muda, o risco muda: o que a nova jornada de trabalho exige das empresas

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29.04.2026

Nos últimos meses, o debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força no Brasil. Propostas que envolvem o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso) e a adoção de modelos como 4×3 ou 5×2 mobilizaram Congresso, empresas, sindicatos e a opinião pública. Trouxeram à tona argumentos relevantes, e muitas vezes conflitantes, sobre produtividade, bem-estar e competitividade.

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Do lado de fora das organizações, a discussão costuma se ancorar nesse dilema. Há estudos e instituições que apontam ganhos em saúde, engajamento e qualidade de vida, além de experiências que sugerem aumento de produtividade em determinados contextos. Por outro lado, entidades como CNI, FIESP, Fecomercio e federações industriais têm destacado preocupações com aumento de custos, perda de competitividade e riscos ao emprego formal, especialmente em setores mais intensivos em mão de obra.

Esse contraste é legítimo e real. O impacto de uma eventual alteração certamente não será igual para todos. Empresas intensivas em mão de obra, operação contínua, varejo, saúde, segurança, logística, restaurantes e serviços presenciais tendem a sentir mais. Empresas com maior automação, flexibilidade operacional ou trabalho por entrega podem absorver melhor.

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Mas, dentro das empresas, a pergunta de ordem prática não é se o fim da jornada 6×1 é melhor ou pior em termos abstratos. A questão central passa a ser como operar sob novas regras sem comprometer a sustentabilidade do negócio.

O efeito dominó: uma mudança que atravessa toda a empresa

Um dos maiores equívocos nas empresas é tratar a jornada de trabalho como um tema restrito a uma única dimensão organizacional. Na prática, estamos falando de uma cadeia de efeitos que atravessa praticamente todas as áreas da empresa.

No campo de Recursos Humanos, será necessário redesenhar jornadas, revisar políticas de banco de horas, recalibrar metas e lidar com efeitos sobre engajamento, turnover e atração de talentos. No Financeiro, o reflexo recai sobre custo, margem e planejamento orçamentário, especialmente em estruturas com alta dependência de mão de obra.

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Do ponto de vista Jurídico, a mudança traz novos desafios interpretativos, ajustes contratuais e potenciais riscos de passivo........

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