menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A irresistível tentação da política polarizada do Chile

11 6
30.12.2025

Publicidade

LONDRES – “A única maneira de se livrar de uma tentação é ceder a ela”, exclama Lord Henry Wotton no romance O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Os chilenos levaram esse conselho a sério.

Há quatro anos, eles foram tentados pela promessa de uma “refundação” progressista do Chile sob o comando de Gabriel Boric, ex-líder estudantil. Os chilenos cederam à tentação e o elegeram o presidente mais jovem e mais à esquerda desde o retorno do país à democracia em 1990.

A imigração ilegal, o aumento da criminalidade e uma economia em baixa sob Boric levaram os eleitores a outra tentação: a do ex-congressista de extrema-direita José Antonio Kast, cujas promessas de expulsar imigrantes e reduzir impostos ecoam as do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os chilenos cederam à tentação mais uma vez, elegendo Kast presidente com um número recorde de votos.

Continua depois da publicidade

O governo de Boric foi decepcionante até mesmo para seus próprios apoiadores. Seu plano para uma nova constituição produziu um rascunho tão radicalmente “politicamente correto” que quase dois terços dos eleitores o rejeitaram num referendo.

Quando os jovens ministros da Frente Ampla, do próprio Boric, se mostraram em sua maioria incompetentes, os social-democratas do Chile vieram em socorro, fornecendo uma equipe de mãos seguras. Ainda assim, com exceção de uma reforma previdenciária no início de 2025, o governo pode reivindicar poucas realizações.

Não é de se admirar, então, que os eleitores tenham punido a coalizão de Boric nas urnas. Jeannette Jara, sua candidata e ex-ministra comunista do gabinete de Boric, obteve míseros 41,8% dos votos. Kast venceu por mais de 16 pontos percentuais – o pior resultado eleitoral da esquerda desde 1990.

Continua depois da publicidade

Kast também irá decepcionar? É........

© InfoMoney