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Amor, patrimônio e a realidade sobre o que os casais precisam conversar

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O Dia dos Namorados movimenta floriculturas e restaurantes. Também provoca uma quantidade considerável de declarações públicas de afeto nas redes sociais.

O que raramente gera e, talvez devesse, é uma conversa que a maioria dos casais adia indefinidamente: a conversa sobre a evolução do relacionamento e suas possíveis repercussões patrimoniais.

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E não, não me refiro a uma conversa fria, com planilhas ou juridiquês.

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Estou falando de algo muito mais básico, e, justamente por isso, mais difícil: entender em que momento a relação está, o que cada um tem, o que cada um quer proteger e o que acontece com tudo isso se a vida seguir caminhos diferentes dos planejados, se é que já é a hora de se preocupar.

Essa conversa incomoda e sempre incomodou.

Falar sobre dinheiro em uma relação afetiva ainda carrega, para muita gente, uma carga emocional desconfortável, quase como se a disposição para planejar revelasse alguma desconfiança velada. 

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Da mesma forma, para alguns, o simples ato de cogitar uma possível separação seria uma espécie de frustração antecipada, uma descrença num futuro feliz.

Essa lógica é absolutamente compreensível. E é, também, um dos maiores equívocos que um casal pode cometer.

Quando o silêncio vira processo

Depois de quase 30 anos atuando com planejamento patrimonial e sucessório, perdi a conta de quantas vezes me sentei na mesa com pessoas que chegaram ao escritório já no meio de um conflito.

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Divórcios em andamento, falecimentos recentes, briga entre os filhos, não raro, de diferentes relações, que transformam separações ou inventários num campo de batalha.

Muitas vezes, o que mais chama atenção nesses casos não é a complexidade jurídica, mas sim a origem do problema. Na maioria esmagadora das vezes, o conflito não nasceu de uma fraude, má-fé ou de divergência legal sofisticada.

Ao contrário, nasceu do que nunca foi dito e do que cada um presumiu, naquilo que nunca foi conversado, no que ficou subentendimento, nas expectativas que cada um foi construindo sozinho.

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Há um padrão que se repete com frequência: casais que conviveram por anos em união estável sem jamais terem formalizado a relação ou definido qualquer regra patrimonial, e que só entendem o que isso significava juridicamente quando a relação........

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