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Um bom propósito de ano novo é fazer um detox dos smartphones

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11.01.2026

Ano novo, vida nova! Momento perfeito para avaliar nosso desempenho e nosso crescimento no ano que passou, traçar novas rotas, estabelecer metas, firmar os bons propósitos, e... Não sejamos ingênuos. Seria uma tolice reunir forças e preparar uma lista de propósitos de Ano Novo, muito parecida com a do ano anterior, a qual não cumprimos, só para nos frustrarmos mais uma vez, fazermos piada e deixarmos tudo para trás antes que finde o mês de janeiro. Estamos perto do meio do mês. Você fez propósitos, à luz dos fogos e com a taça de espumante na mão? Já os descumpriu, por acaso? Ou ao menos sente reduzirem-se suas energias, drenadas pelo repuxo dos velhos hábitos, todo aquele ideal remodelado começa já a parecer distante, estúpido, pueril? Imagino que talvez você tenha estipulado algumas quantidades. Ir à academia tantas vezes, ler tantos livros, fazer tais ou quais aprimoramentos de trabalho; pode ter, generosamente, incluído na lista quantidades para seus familiares: fazer tal ou qual gesto pelo seu marido, ler tantas vezes para os filhos, fazer este ou aquele programa com eles. E por que, eu lhes pergunto, por que os nossos propósitos são tão frágeis? Porque somos arrastados rapidamente para a perda de tempo, para a rotina da preguiça, para a dispersão?

Penso que o problema da nossa dispersão, a agitação, a ansiedade generalizada da nossa geração, e mais ainda das gerações que vêm vindo, seja bastante grave, e bastante mais grave do que a cultura do meme pode supor. Às vezes rimos para não chorar, é verdade; mas talvez devêssemos mesmo chorar. Essa liquidez, essa fragilidade geral tem dois lados como uma moeda: a ansiedade, de quem precisa de mais, de muito, e a toda hora, e a procrastinação, de quem deixa para depois, de quem não consegue sustentar um esforço ou um propósito nem por 15 dias – e já tudo virou vapor outra vez. A essa doença do espírito os antigos talvez chamassem de acídia ou de tibieza, feitas as devidas adaptações, e a tibieza, segundo eles, é muito mais grave do que pensa o tíbio. As tecnologias e as redes sociais, e quase tudo o mais da cultura contemporânea, são o metrônomo que marca o compasso dessa ansiedade generalizada. Como escapar disso? – é o que queremos saber, é o que você talvez esteja se perguntando. Bem, eu tenho cá minha pequena sugestão. Em suma, devemos fazer propósitos fundamentais, básicos, mas qualitativos, que salvarão nossa sanidade e possibilitarão qualquer avanço quantitativo posterior. É este o tempo que vivemos, paciência: temos de fazer um grande esforço para permanecermos normais.

Não é de hoje. Vários autores já explicaram, com precisão, que a era moderna viveu sob o signo da ansiedade. Ela foi intensificada e complexificada pela sociedade urbanizada e industrial. Um número crescente de pessoas passou a sofrer de neuroses, medos difusos, irritabilidade crônica, distúrbios psíquicos e até enfermidades somáticas, como úlceras, coisas que não se viam antes. Talvez não estivessem simplesmente “esgotadas”, mas feridas em seu íntimo. Poucos podiam dizer, como dizia antes o camponês de outrora: “Quando trabalho, trabalho de verdade; quando paro, descanso”. É claro que o homem sempre teve problemas. Mas outrora os homens se inquietavam sobretudo com a alma; hoje, a preocupação dominante recai sobre o corpo. Segurança econômica, saúde, aparência física, prestígio social, riqueza e sexualidade tornaram-se os grandes polos de inquietação. Além do mais, essa ansiedade moderna distingue-se também por ser subjetiva. Já não se trata do medo de perigos objetivos e naturais – como feras, tempestades ou a fome –, mas de um temor vago, difuso, do que poderia acontecer caso certas circunstâncias se configurassem.

Uma das consequências mais visíveis do uso intensivo da internet e das novas redes sociais é a erosão progressiva da nossa capacidade de prestar atenção e de nos concentrar em algo por um período prolongado

Por isso, é tão difícil lidar com essa nova ansiedade: não adianta assegurar que não há perigo externo real, pois o perigo que se teme está dentro da própria pessoa e, por isso mesmo, é experimentado como intensamente real. A condição é agravada por um sentimento de impotência diante desse suposto inimigo interior. O ansioso percebe constantemente uma desproporção entre as forças de que dispõe e aquelas que julga necessárias para enfrentar a ameaça. Assim, torna-se semelhante a um peixe preso em uma rede ou a um pássaro enredado em armadilha: quanto mais se debate de modo desordenado, mais se aprisiona, multiplicando suas próprias angústias.

Mas, reparem, estou descrevendo uma ansiedade “moderna”. Falo da........

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