O império da ignorância
“O fato de que somos um país novo cria limitações para as nossas possibilidades de assimilação cultural que precisaremos aprender a aceitar com simplicidade e modéstia, se quisermos realmente possuir um dia a estrutura de uma consciência verdadeiramente nacional.” (Mário Vieira de Mello)
Como o atento leitor já sabe, sou uma pessoa ativa nas redes sociais. Não sei se posso afirmar que seja um heavy user, mas estou sempre dando uma olhadela nas postagens e, apesar de cuidar para que o algoritmo me mantenha, basicamente, gravitando mais em torno de assuntos de artes, cultura, lifestyle e humor (e Ouro Preto) do que política, vez por outra me chegam temas políticos. E, quase sempre, são frustrantes, pois evidenciam aquilo que Mário Vieira de Mello diz na epígrafe.
Somos um país jovem, de horizonte cultural e espiritual exíguo. Se comparado aos milênios de civilizações anteriores, nossos 500 anos nos colocam em franca desvantagem imaginativa. Alguns exemplos nos bastam: a cultura e a religião, trazidas pelos jesuítas, receberam contornos sincréticos e pouco definidos até, pelo menos, o desenvolvimento do barroco; o jornalismo só teve início em 1808, com a abertura da imprensa por dom João VI; a literatura, que demorou três séculos para ser produzida por aqui, só encontrou expressão verdadeiramente brasileira com o mulato Teixeira e Sousa e seu O Filho do Pescador, publicado em 1843.
Não é mais possível dizer uma bobagem, ainda mais quando se trata de política, sem que esta não encontre eco em outra pessoa, igualmente desprovida não de inteligência, mas de senso comum
Não é mais possível dizer uma bobagem, ainda mais quando se trata de política, sem que esta não encontre eco em outra pessoa, igualmente desprovida não de inteligência, mas de senso comum
Entretanto, nada disso deveria ser um problema caso assumíssemos, de bom grado, tal limitação como um desafio a ser superado – sobretudo por nossas elites. Se assumíssemos, como diz o (sempre repetido nessa coluna) artigo de Sílvio Romero, a “consciência positiva do que realmente somos”, sem nos darmos ares de muito evoluídos, seria mais simples e justificável, inclusive, nosso esforço e investimento em educação de qualidade.
Iniciei falando da internet, pois retomo. Essa semana, dois vídeos demonstram, de modo bastante acentuado, o tamanho do abismo em que nos lançaram as redes sociais. Explico – talvez de novo, sem dizer novidade: antes da internet, um idiota era só um idiota de seu........
