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A IA será melhor que os humanos (se deixarmos)

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10.06.2026

“O que chamamos de poder do Homem sobre a Natureza se revela como um poder exercido por alguns homens sobre outros, com a Natureza como instrumento.” (C.S. Lewis)

Muitos ainda não perceberam, mas os avanços da inteligência artificial (IA) estão surpreendentes – e, em certo sentido, assustadores. Os sistemas mais modernos deixaram de apenas responder perguntas para atuar como agentes autônomos, capazes de planejar, executar e revisar tarefas complexas sem supervisão constante. Ao mesmo tempo, a IA vem mudando completamente o desenvolvimento de softwares – causando desespero em programadores –, escrevendo grandes quantidades de código a partir de prompts (vibe coding), realizando pesquisas científicas assistidas e integrando texto, voz, imagem e vídeo em um único sistema. Em alguns casos mais avançados, ela já contribui para o desenvolvimento da próxima geração de modelos, inaugurando um ciclo de inovação tecnológica sem precedentes.

Dias atrás, conversando com um colega de trabalho, refletíamos sobre como algumas atividades vão desaparecer e como outras vão se alterar completamente; de como vamos, por um lado, ganhar em produtividade, mas, por outro, muitos ficarão sem emprego caso não consigam encontrar maneiras de não se tornarem indispensáveis em suas atividades. De como algumas tarefas, que hoje a IA faz e ainda são reconhecíveis como tal, daqui a um tempo serão melhores que aquelas feitas pela maioria dos mais talentoso dos humanos.

Hoje, quando vemos uma propaganda – em imagem estática ou vídeo – ainda é fácil notar quando é feita por IA. Mas já é infinitamente melhor do que víamos há pouquíssimo tempo. Como eu disse em artigo recente desta coluna, daqui a um tempo, ao pedir para uma LLM escrever um romance emulando o estilo de Tolstói, pode ser que ela não produza algo com a qualidade imensurável de um Anna Kariênina, mas, sem dúvida, entregará algo que passará por Tolstói tranquilamente. Os artistas e designers ainda conseguem defender a sensibilidade humana na criação de uma imagem ou obra de arte. Mas, sinceramente, não sei até quando isso será possível – e tendo a achar que não demorará muito.

Os artistas e designers ainda conseguem defender a sensibilidade humana na criação de uma imagem ou obra de arte. Mas, sinceramente, não sei até quando isso será possível

Os artistas e designers ainda conseguem defender a sensibilidade humana na criação de uma imagem ou obra de arte. Mas, sinceramente, não sei até quando isso será possível

Dario Amodei, CEO da Anthropic (criadora do famoso Claude), em seu revelador ensaio “A Adolescência da Tecnologia”, faz um diagnóstico que me parece aterrorizante do ponto de vista da capacidade do que ele chama de IA Poderosa (Powerful AI) – a citação é longa, mas importantíssima:

“Por ‘IA Poderosa’, tenho em mente um modelo de inteligência artificial – provavelmente semelhante, em sua forma, aos atuais grandes modelos de linguagem (LLMs), embora possa ser baseado em uma arquitetura diferente, envolver vários........

© Gazeta do Povo