“A Cracolândia não voltará mais”, diz Felício Ramuth, vice-governador de SP
Após décadas marcada pela concentração de usuários de drogas e pela atuação de redes criminosas no centro de São Paulo, a chamada Cracolândia deixou de existir como território fixo, segundo o governo paulista. A gestão estadual atribui o resultado a uma estratégia que combinou ações de segurança pública, assistência social, atendimento em saúde e repressão às organizações criminosas que sustentavam a dinâmica do local. O processo, no entanto, também gerou debates sobre a dispersão dos usuários, os limites das intervenções policiais e a efetividade das políticas públicas adotadas.
Vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (MDB-SP) afirma que o encerramento da Cracolândia foi resultado da integração entre Estado e município, da ampliação das ações sociais e de saúde e do enfrentamento ao ecossistema criminoso que operava na região. Nesta entrevista à coluna Entrelinhas, ele detalha a estratégia adotada pelo governo paulista, comenta os desafios jurídicos enfrentados durante a operação, avalia o combate às facções criminosas e fala sobre as perspectivas políticas para as eleições de 2026.
Entrelinhas: O senhor costuma citar o fim da Cracolândia como um caso de sucesso. O que houve de mais importante nesse processo e o que pode servir de exemplo para outros estados?
Ramuth: Primeiro, nós fomos pesquisar iniciativas em vários lugares do mundo para identificar o que havia em comum entre elas. Conversamos com muitos especialistas e percebemos que, ao longo de 30 anos, várias tentativas foram feitas para extinguir a........
