Leão XIV contra os sommeliers de Tríduo Pascal
Na Quinta-Feira Santa, o papa Leão XIV celebrou a missa da Ceia do Senhor na Basílica de São João do Latrão, e lavou os pés de 12 sacerdotes da diocese de Roma. Bastou para o mundo dito “progressista” (sempre entre aspas) vir abaixo. Por quê? Porque seu antecessor, o papa Francisco, nunca fez isso: em seus 12 anos de pontificado, ele sempre preferiu celebrar essa parte do Tríduo Pascal em prisões, centros de ressocialização de adolescentes infratores ou centros de acolhimento de refugiados, e para o lava-pés escolhia detentos, refugiados, ou funcionários dessas instalações – em 2016, o papa chegou a mudar o rito para permitir que mulheres também fizessem parte desse trecho da liturgia da Quinta-Feira Santa.
“Diferentes prioridades”, ouviu-se por aí, exatamente como se comentou diante da decisão papal de visitar o principado de Mônaco em sua primeira visita internacional dentro da Europa, comparando-a com a ida de Francisco à ilha de Lampedusa no início do seu pontificado. Nesta narrativa, Francisco é o papa que se preocupa com os vulneráveis, que vai até eles, que não os despreza, enquanto Leão – apesar de ter dedicado seu primeiro grande documento aos pobres – prefere outros tipos de ambientes e companhias, se é que vocês me entendem.
A Quinta-Feira Santa também é a festa do sacerdócio
Besteiras, besteiras sem fim. Primeiro, porque se há um costume (atenção, costume não é lei nem regra imutável) em relação ao lava-pés no Vaticano, é justamente o de se lavar os pés de 12 padres; foi Francisco quem desejou fazer diferente, e não sou eu que vou criticá-lo por isso, é uma decisão que ele tomou, e que podia tomar, por desejar passar uma determinada mensagem que condiz com o Evangelho. Mas há boas razões também para se voltar à prática anterior.
Quem critica as escolhas de Leão XIV costuma tratar o pontificado de Francisco como muitos tratam o Concílio Vaticano II, um “marco zero” da Igreja que invalida tudo o que veio antes
Quem critica as escolhas de Leão XIV costuma tratar o pontificado de Francisco como muitos tratam o Concílio Vaticano II, um “marco zero” da Igreja que invalida tudo o que veio antes
Costumamos lembrar da Quinta-Feira Santa como o dia da instituição da........
