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Os traidores e a forca

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09.06.2026

A história brasileira costuma ser lembrada por meio de símbolos simplificados. Tiradentes, por exemplo. É o mártir da independência. Já Joaquim Silvério dos Reis ficou marcado como o traidor que vendeu seus companheiros à Coroa portuguesa. Mas, quando figuras públicas recorrem a esses personagens para atacar adversários, é importante recapitular os fatos em toda a sua complexidade.

Na semana passada, Lula afirmou que determinados adversários mereceriam a forca, evocando a memória de Joaquim Silvério dos Reis — que, na verdade, não foi enforcado, mas este é o menor dos problemas. A analogia revela um problema histórico e moral profundo. Afinal, quem foi o traidor, aos olhos do regime vigente em Minas Gerais no final do século XVIII? E quem acabou sendo enforcado: o traidor ou o herói?

Joaquim Silvério dos Reis era um rico proprietário de terras e minerador. Endividado junto à Coroa portuguesa, viu na delação da Inconfidência Mineira uma oportunidade para obter vantagens pessoais. Em 1789, denunciou às autoridades o movimento que articulava uma ruptura com o domínio português. Em troca, recebeu favores da administração colonial, incluindo o perdão de dívidas e outras compensações. Morreu de causas naturais, já idoso.

Do ponto de vista da memória nacional construída posteriormente, Silvério se tornou o arquétipo do traidor: o homem que colocou seus interesses particulares acima do ideal de liberdade defendido pelos........

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