O Banco Master arrasta os três Poderes para a lama
A crise que vem jogando, já há várias semanas, o STF na lama tem um paralelo interessante: a chamada Operação Lex, investigação portuguesa de 2018 que expôs um esquema de corrupção e tráfico de influência envolvendo magistrados do Tribunal da Relação de Lisboa. Apesar dos contextos diferentes, os dois episódios convergem na consequência: quando juízes confundem o interesse público com interesses privados, causam um dano profundo e duradouro à legitimidade das instituições.
Quando o Judiciário, que deveria funcionar como última trincheira de proteção do Estado de Direito, se transforma em protagonista de uma crise ética, esse deslocamento simbólico é particularmente perigoso. Sem transparência, controles rigorosos e disposição para reformas, a percepção de impunidade tende a se disseminar na sociedade. O resultado é um ciclo de descrédito difícil de reverter.
Em qualquer democracia digna do nome, magistrados deveriam ser os guardiões da legalidade. Quando surgem indícios de que esses mesmos agentes instrumentalizam seu poder para fins privados, instala-se uma crise que transcende o plano criminal – e que irá muito além da eventual punição dos culpados, pois terá criado uma rachadura profunda na confiança coletiva no sistema. Isto, se os culpados forem mesmo punidos.
A Operação Lex emergiu de investigações sobre empresários influentes e acabou desvendando uma rede de relações, por assim dizer, opacas, entre advogados,........
