O arame de Lego do Irã
Os vídeos feitos com inteligência artificial em estética de bonecos Lego, usados por redes pró-Irã para ridicularizar os Estados Unidos e, sobretudo, o presidente Donald Trump, não viralizaram por acaso. Eles foram produzidos em inglês, com linguagem de meme, humor em formato nativo das plataformas e uma ambição clara: moldar a narrativa da guerra e estimular oposição ao confronto contra Teerã no próprio ambiente informacional ocidental.
A pergunta importante, porém, não é apenas como essa campanha foi feita. É por que ela funciona tão bem. E a resposta é simples e desagradável: o Irã aprendeu com a Rússia – pioneira nesse tipo de ação – que, no Ocidente, as pessoas já estão predispostas a abraçar qualquer coisa que humilhe o líder político de quem não gostam.
Para muita gente, pouco importa que a peça venha da máquina de propaganda de um regime que massacra manifestantes, restringe brutalmente a dissidência e submete mulheres a uma estrutura legal e política abertamente discriminatória.
Quando o alvo é o inimigo doméstico, a origem da munição parece irrelevante. O conteúdo deixa de ser examinado moralmente e passa a ser consumido tribalmente. É aqui que vale recorrer a um trecho muito interessante de O mago do Kremlin, livro de Giuliano........
