Lula e o melindre como política externa
Na diplomacia do presidente Lula, a ofensa não é um problema de princípio. Depende de quem ofende e de quem é ofendido. O Itamaraty decidiu que o embaixador Julio Bitelli não voltará a Buenos Aires e que a relação será conduzida por um encarregado de negócios. Trata-se de uma reação às declarações recentes do presidente Javier Milei, que, em visita privada ao Brasil para atender à convenção do PL, chamou Lula de “ladrão”, “corrupto”, “presidiário” e “lixo socialista”, e Alexandre de Moraes de “lixo careca”. O presidente brasileiro, que tem como um dos seus pilares de campanha o chauvinismo de conveniência, reagiu com força.
Mas, no sentido inverso, Lula se vê com o salvo-conduto para ofender ou interferir. Antes da eleição americana de 2024, por exemplo, ele torceu por Kamala Harris e associou uma vitória de Donald Trump ao retorno do “fascismo e do nazismo com outra cara”. Depois, acusou Trump de agir como “imperador” e o classificou como “mau exemplo para a democracia”. O secretário de Estado Marco Rubio virou um “latino-americano frustrado”.
Em agosto de 2023, Lula recebeu Sergio Massa no Planalto quando o ministro........
