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Europa fora do coração euroasiático

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19.03.2026

Durante mais de um século, a Eurásia ocupou um lugar central no pensamento geopolítico, primeiro como projeção teórica do poder global e, depois como realidade material em transformação. Desde que Halford Mackinder identificou o Heartland como núcleo estratégico continental, esta leitura foi complementada por Nicholas Spykman, que deslocou o foco para o Rimland, as franjas costeiras onde se concentram populações, comércio e poder marítimo. Tornou-se, assim, evidente, que o controlo da Eurásia não dependeria apenas do seu interior, mas sobretudo da articulação entre centro e periferia. Décadas mais tarde, figuras como Yevgeni Primakov reinterpretaram este espaço enquanto alicerce de uma ordem multipolar, concebendo a integração eurasiática como alternativa à hegemonia unipolar.

Hoje, estas leituras convergem numa realidade concreta: a Eurásia organiza-se através de redes de energia, infraestruturas e corredores logísticos que definem novas formas de poder. Neste contexto, a posição europeia revela uma tensão entre a sua geografia e a dinâmica estratégica em curso. Situada no extremo ocidental da Eurásia, o continente mantém-se relevante nos........

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