O mito do herói e a desconstrução do ministro Xandão no caso Master
A trajetória recente do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal produziu um fenômeno raro no Judiciário brasileiro: a construção de uma figura pública dotada de forte capital simbólico. Ao conduzir investigações e julgamentos ligados aos ataques à democracia e às articulações golpistas associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Moraes passou a ser visto por amplos setores da opinião pública como o principal fiador institucional da ordem constitucional, um herói da democracia.
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Daí nasceu o “Xandão”. O apelido popular não é apenas um “meme” das redes sociais. É a tradução da construção simbólica de uma persona institucional investida de atributos extraordinários: firmeza, coragem, capacidade de decisão em momentos críticos. Trata-se, em termos teóricos, da atualização contemporânea de um fenômeno antigo da política: o mito homérico de Ulysses. A filósofa Hannah Arendt, em A Condição Humana, analisa essa figura a partir da tradição da pólis grega.
Para Arendt, o herói homérico é aquele que se revela no espaço público por meio da ação e do discurso. Sua grandeza não deriva apenas do resultado de seus atos, mas do fato de agir diante dos outros, sob o olhar da comunidade política. A ação extraordinária rompe a rotina do comportamento cotidiano e projeta o indivíduo na história. O herói busca........
