Por que as médicas brancas não são confundidas com bandidos?
Imagine a seguinte situação: você tem a alegria de chegar aos seus 61 anos de idade com pai e mãe vivos. Além disso, tem uma filha linda de 30 anos, tem graduação em medicina, especialização e atua em um hospital público atendendo pacientes em tratamento oncológico há décadas. Adora viajar e curtir com a família, celebrar a vida com amigos. Em um dia como qualquer outro, você resolve entrar em seu carrão e ir visitar seus pais e, ao sair da casa deles, é confundida com criminosos e brutalmente assassinada por agentes da Polícia Militar.
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Então, foi isso que aconteceu com a médica Andréia Marins Dias.
Uma das pouquíssimas mulheres negras formadas em medicina em um país onde o acesso à educação superior ainda é tratado como privilégio e onde a medicina permanece como um símbolo de status da branquitude. Eu vi muita gente tentando classificar esse caso como uma fatalidade. Eu gostaria muito que fosse. Porque, se realmente fosse, eu não viveria com o medo constante de ter minha vida ceifada simplesmente por ser uma pessoa negra vivendo na mesma cidade onde Andréia foi “confundida” com bandido e assassinada.
Mas, diante desse caso e da afirmativa de muitos de que foi só uma fatalidade, a pergunta que me persegue é: por que as médicas brancas não são confundidas com bandidos?
Quando uma mulher trans assume, todos lembram que a comissão........
