Lorival e a queda do céu
O pequeno avião ronca seus motores sobre a selva amazônica. Corre o ano de 1989 e o xamã Davi Kopenawa está apreensivo. Ouve em seu rádio vozes dos mais diversos focos de garimpo que se multiplicam pela floresta. “O aeroporto de Boa Vista já é o mais movimentado do mundo. Parece um formigueiro de gente tomando e destruindo tudo que vê pela frente”, diz Davi.
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Por cultura, ele tem o inconsciente como fonte privilegiada de informação: “Tenho tido muitos sonhos, sonhos ruins... Tenho medo de que eles apareçam por aqui”, desabafa.
Quem o observa e ouve é o artista plástico Tuscha, naquela época ainda estudante de Comunicação da PUC-MG. Diante da angústia do porta-voz yanomami, ele não sabe o que dizer. Sente a dimensão da tragédia, a agressão que não cessa, o cansaço. Pousam a pouca distância da comunidade Watoriki, na região do Demini, à beira do rio de mesmo nome, no sopé da Serra do Vento. É o lugar para onde Davi e seu sogro e xamã Lorival levaram seu povo para protegê-lo da violência dos garimpeiros, da poluição dos rios por mercúrio, das doenças dos brancos e da morte. Por volta de 20% dos yanomami perderam a vida no prazo de sete anos, desde o início da corrida do ouro, em 1987.
Depois de........
