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Sarna pra se coçar

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13.10.2026

Passei a semana falando de sarna. Repórter de rádio, de televisão, de jornal, todos querendo saber do ácaro que anda visitando escolas, creches, presídios e asilos de Minas e de outras partes do país. Expliquei tantas vezes a mesma coisa que, à noite, deitado, me peguei coçando o braço — e não era sarna, era sugestão, que também pega.

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Vamos ao que importa, porque o leitor é como a mãe na porta da escola: quer saber se o menino pode voltar.

Sarna é um bicho miúdo, o Sarcoptes scabiei, que não se enxerga a olho nu e passa a vida cavando túneis na pele alheia. Não é falta de banho. Não vem do cachorro — a do cachorro é outra, de outra variedade, que no homem não vinga. Pega por contato: pele com pele, 15, 20 minutos. Por isso gosta de sala de aula, de cama partilhada, de família grande dormindo junta. Pega também por lençol, toalha, uniforme emprestado, mas o grosso é o abraço demorado.

E aqui a primeira lição, que aprendi na pele dos outros: a pessoa transmite antes de coçar. Fica um mês, mês e meio, sem sentir nada, e já está passando adiante. Quando a coceira chega, chega de noite, chega no banho quente, chega entre os dedos, no punho, na barriga. Coça tanto que a pessoa pensa que é alergia, que é nervoso, que é o sabão novo.

Foi mais ou menos no terceiro telefonema que me ocorreu a comparação. Não sei se por cansaço ou por espírito de porco — o cronista, como........

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