Opinião | Esta brasileira teve de fazer vaquinha para estudar música. Agora, brilha na banda de David Byrne
Oito anos atrás, a carioca Kely Pinheiro era uma violoncelista em busca da realização de um sonho. Estudante da UniRio, ela havia ganho uma bolsa de estudos integral na prestigiada Berklee College of Music, em Boston, mas tinha de arrecadar R$ 70 mil para bancar seu primeiro ano na cidade americana.
A solução foi criar um crowdfunding. O caso ganhou o apoio, entre outros, do jornalista Gilberto Dimenstein, do pianista Nelson Ayres, do violinista Ricardo Herz e da cantora Mônica Salmaso – que fizeram uma apresentação para ajudar Kely a cumprir a meta – e do maestro João Carlos Martins, que a chamou para concertos como solista. Deu certo: ela foi para os Estados Unidos, onde se formou em Bacharel em Performance e Escrita e Produção Contemporânea.
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Perdi essa bela movimentação em torno da musicista, mas me senti realizado em testemunhar um dos resultados mais bonitos dessa cruzada em nome da arte: Kely participa de Who’s the Sky, mais recente turnê do cantor e compositor David Byrne, referência do pop de vanguarda. É um dos destaques em meio a um combo de instrumentistas (entre eles, o brasileiro Mauro Refosco, também diretor musical do espetáculo, e o francês Stéphane San Juan, que morou anos no Brasil), cantores e dançarinos.
Ela toca violoncelo e contrabaixo, além de fazer as intrincadas coreografias do espetáculo. “São uma tortura para a minha coluna”, brinca San Juan, que surgiu no meio da minha conversa com Kely, momentos antes de um show da perna americana da turnê.
Eu assisti a Who’s........© Estadão
