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Opinião | Novorizontino e Corinthians acreditam até o fim e farão equilibrada semifinal

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23.02.2026

'Catimba' de Andreas em Corinthians x Palmeiras na marca do pênalti é permitida?

Comentarista de arbitragem analisa lance mais polêmico do dérbi no Paulistão. Crédito: Paulo Caravina

Semifinal do Paulista de 1995. No Pacaembu, o melhor time do campeonato precisava do empate que conseguia contra o Corinthians para chegar à final. E eu só pensava, na transmissão do SporTV, que só havia, naquele momento, uma equipe capaz de tomar um gol.

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E tomou, do volante Bernardo, numa saída atrapalhada do goleiro Paulo César Borges. O Corinthians foi à final e foi campeão paulista contra o Palmeiras, em Ribeirão Preto.

Quartas de final do Paulista de 2026. Só havia um time capaz de ainda levar o gol de empate que levaria aos pênaltis. Era a dona da casa e a melhor equipe em campo, a Portuguesa. Pressionada pelo abafa do Corinthians, mas jogando um futebol que há anos não se via. No Paulistão, desde 1998.

Não era um time tão bom como aqueles. Como o que em 1996 seria vice-campeão brasileiro para o Grêmio, no Olímpico. Para o time do Felipão, que quando fez o segundo gol do título nacional, também dava a impressão que só a Portuguesa para tomar aquele gol faltando poucos minutos.

A final brasileira também foi um jogo em que eu transmiti no SporTV. E não tive coragem de dizer aquilo que pensava. Que só a Lusa para sofrer um gol naquele instante, como levaria de Ailton.

Nessa noite de domingo, eu não estava no ar, e falei ao meu filho: “Só a Portuguesa é capaz de tomar um gol agora”.

Demorou um pouco, mas foi no tempo exato e cruel pra Vitinho marcar o seu primeiro gol, e que golaço, com a camisa corintiana em 29 jogos. Para o Corinthians acertar seu único chute em mais de 90 minutos no Canindé. Mais uma partida que não foi boa do Corinthians, mas que teve a superação histórica da camisa e desse time que vai fazendo uma história bonita, apesar dos problemas fora de campo.

A Lusa foi grande, teve uma chance espetacular que o Hugo Souza impediu no primeiro tempo. Teve mais um pênalti que o Hugo Souza defendeu, no tempo normal. Como depois, nas cobranças, ajudaria o Corinthians a virar o jogo. Depois do primeiro pênalti perdido por Garro (e devia ser proibido um dos melhores jogadores da equipe bater pênalti...), a Portuguesa perderia as dela. Ou, no caso, Hugo Souza foi catar mais dois e classificar o Timão.

Levando à semifinal do Paulista contra o Novorizontino, que mais cedo, em casa, fez o dever dela e respondeu à altura aquilo que se vê desde que esse novo clube foi formado, e muito bem administrado e montado Venceu o Santos, como podia ter feito na primeira partida do campeonato, na Vila Belmiro, quando perdeu por uma bola no finalzinho de Thaciano. Como, dessa vez, Leo Naldo fez o gol de cabeça que deu a vitória ao Novorizontino, que havia aberto o placar também no finalzinho da primeira etapa, numa infelicidade de Neymar.

O dez santista que quis jogo como sempre quer, mas que segue sem jogar o que pode. Se errou no lance do primeiro gol do Novorizontino, pouco acertou depois. Ficou os noventa minutos possivelmente para bater os pênaltis, que, de novo, a penalidade máxima para o Santos foi nem chegar a ela, com o gol tomado no final.

Deu a lógica. Hoje, o Novorizontino, melhor time do campeonato, ganhou da oitava melhor campanha, em casa. E fará um jogo muito bom e equilibrado contra o Corinthians.

Timão que não era favorito contra o Cruzeiro na Copa do Brasil, e venceu nos pênaltis. Time de Dorival que tinha mais chances contra o Vasco e venceu. Corinthians ainda de Ramón que ano passado também não era favorito contra o Palmeiras e venceu.

Corinthians que adora superar os próprios erros. Foi assim no Canindé, contra uma Lusa e contra um torcedor rubro-verde que não merecia a derrota nos pênaltis do jeito que foi. Podia até perder por um gol no começo do jogo. Podia perder por mais gols antes. Mas não precisava fazer sofrer tanto, com mais uma atuação honrosa da equipe de Fábio Matias, muito bom treinador.

Um elenco que não é grande coisa, que não está à altura da Portuguesa. Mas que para os últimos anos tão tristes e apagados, é algo que dá luz. Dá esperança. Mesmo que ela pareça sempre terminar numa bola cruzada sobre a área.

Aos bravos lusitanos, que são poucos mas parecem tantos, que continuem vibrando e crendo. Como vibraram ontem à noite no Canindé, e fizeram na bonita campanha no Paulistão.

Ainda tem jogo, vai continuar sempre tendo Portuguesa. Mas quando tem jogo, e contra o Corinthians, é preciso mais do que acreditar.


© Estadão