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Análise | Farra na PM: Tropa para autoridades cresce 65% e comando ganha assessoria em meio à falta de efetivo

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23.02.2026

Está na lei. Por decreto, a Polícia Militar de São Paulo deve ter 93.802 policiais e 477 oficiais médicos. Mas em 9 de janeiro deste ano, a corporação tinha apenas 81.594 policiais, segundo dados obtidos pela coluna por meio da Lei de Acesso à Informação. Trata-se de um dos mais baixos níveis de efetivo da corporação neste século, muito próximo do recorde histórico de 80.137, registrado em janeiro de 2023, no início do governo Tarcísio de Freitas.

E esse número já caiu ainda mais. Somente em janeiro 334 policiais militares pediram exoneração (93), passagem para reserva (234) e reforma ou exoneração (7), aumentando uma sangria que só cresceu nos últimos quatro anos: a saída cada vez maior de policiais da corporação. Em 2020, 356 haviam pedido exoneração. No ano seguinte, esse número subiu para 544. Em 2022, o total chegou a 669 e pulou para 676 em 2023, primeiro ano do governo Tarcísio para atingir 806 em 2024 e estabelecer o recorde de 917 em 2025. “A perda foi de 10 mil nos últimos 15 anos”, afirmou o coronel da reserva José Vicente da Silva.

Enquanto a PM paulista sangra, a gestão de Guilherme Derrite na Secretaria da Segurança Pública criou novas assessorias para que os PMs carreguem as pastas de autoridades em vez de correr atrás de bandidos que roubam celulares nas ruas. Esse foi o caso das assessorias da Secretaria da Fazenda e da Controladoria Geral do Estado (CGE), onde o ex-secretário pôs capitães de sua confiança para acompanhar os titulares das pastas.

Quando se observa o novo quadro oficial de distribuição de efetivos da corporação, publicado no Diário Oficial de 4 de fevereiro, o total de homens à disposição do Poder Executivo saltou de 216 para 358, um aumento de 65% no total dos policiais à disposição dos secretários de Tarcísio. Ou seja, a tropa que trabalha com as autoridades aumenta enquanto a atividade fim, segundo coronéis, continua em segundo plano, com as Guardas Civis tomando o lugar da PM no patrulhamento das ruas e na captura de bandidos com programas como o Smart Sampa.

Eles dizem que o paulistano que quiser observar esse fenômeno precisa só dar uma volta pelo centro da cidade ou pela região da Avenida Paulista para observar como a GCM tomou conta das ruas. Enquanto isso, a PM mantém o efetivo equivalente a uma brigada de infantaria imobilizada em cinco batalhões de choque que, à exceção de um pelotão da Rota em cada período do dia, ficam a maior parte do tempo aquartelados, como a antiga Força Pública.

Segundo coronéis da ativa e da reserva ouvidos pela coluna, há problemas no recrutamento de novos policiais, um deles envolveria os exames psicotécnicos, que estariam reprovando candidatos muito bem colocados nos exames físico e escrito até para a Academia do Barro Branco. Outros dizem que o........

© Estadão