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Opinião | Juventude – a revolução silenciosa

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19.01.2026

A sociedade retratada no noticiário parece aprisionada pelo vírus da morbidez. Crimes, aberrações e desvios de conduta desfilam diariamente na passarela da mídia. A notícia positiva, tão verdadeira quanto a negativa, chega ao leitor como surpresa – quase como um fato exótico. O negativismo sistemático tornou-se uma lente distorcida que mascara algo essencial: nossa incapacidade de reconhecer a grandeza silenciosa que pulsa no cotidiano.

Guimarães Rosa lembrava com sabedoria: “Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo”. Certo jornalismo, porém, insiste em enxergar apenas o lado sombrio, como se o Brasil real coubesse inteiro no inventário de tragédias diárias. O cotidiano do brasileiro médio seria, afinal, tão inóspito assim? A resposta é rotunda: não.

Tomemos como exemplo a juventude. O noticiário privilegia o avanço da violência, a escalada das drogas, o drama do desemprego e a angústia econômica que castiga milhões de famílias. É verdade: muitos adolescentes vivem anos perigosos, marcados por riscos sociais e culturais. Mas esta é apenas uma parte da história. A outra metade – luminosa, fecunda e transformadora – permanece ofuscada por uma mídia obcecada pela síndrome da informação sombria.

A delinquência está longe de........

© Estadão