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O futuro da educação e do emprego (cá): ética, tecnologia e a realidade nacional

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31.03.2025

A história das sociedades modernas tem sido, em grande medida, marcada pela capacidade de adaptação a ciclos sucessivos de transformação tecnológica. Cada nova vaga de inovação trouxe consigo promessas de progresso, mas também desafios profundos para os sistemas educativos, para o mercado de trabalho e para a coesão social. A atual transição digital, potenciada pelo desenvolvimento acelerado da Inteligência Artificial (IA), não foge a esta lógica. No entanto, há nesta transição um carácter disruptivo que se distingue das anteriores: a velocidade sem precedentes da mudança e a sua penetração transversal em praticamente todos os setores económicos e sociais colocam pressões inéditas sobre as instituições e os indivíduos. Portugal, com as suas especificidades estruturais, enfrenta este desafio a partir de uma posição vulnerável, mas também repleta de potencialidades.

A realidade nacional evidencia, desde logo, um paradoxo inquietante. Nas gerações mais jovens, as taxas de qualificação académica aproximam-se, em muitos indicadores, da média europeia. Em 2023, cerca de 41,5% dos jovens adultos com idades entre os 25 e os 34 anos possuíam um diploma do ensino superior, um número apenas ligeiramente inferior à média da União Europeia (UE), situada em 43,1%. Contudo, considerando a população adulta entre os 25 e os 74 anos, verifica-se que 47,9% continuam a deter apenas níveis de educação básicos ou inferiores — mais do dobro da média europeia (22,9%) e o valor mais elevado da UE. Ao mesmo tempo, muitos dos nossos jovens qualificados emigram por não encontrarem cá oportunidades de emprego com bons salários e uma carreira atrativa. Esta assimetria profunda tanto nas qualificações como no mercado de trabalho revela um tecido económico que não conseguiu acompanhar o aumento das qualificações formais, refletindo uma especialização económica ainda com pouca representatividade de setores com elevada produtividade e valor acrescentado, cuja competitividade está assente na intensidade em conhecimento e tecnologia.

Tal explica que, em 2023, a produtividade horária se tenha situado ainda num dos valores mais baixos no contexto europeu em 71,2% da média da UE. Só com o aumento da produtividade as empresas e o Estado........

© Dinheiro Vivo