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A cegueira dos que não veem

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18.03.2026

“Nunca um artista é mórbido. Pode dar expressão a tudo. O pensamento e a linguagem são instrumentos de arte para o artista. O vício e a virtude são para ele matéria de arte”.

O Ensaio sobre a Cegueira (1995) de José Saramago (1922-2010), cuja leitura aconselharia aos mais visionários deste país, conta-nos uma história fictícia bem romanceada na óptica do seu autor, repleta de ensinamentos e muito actual.

É a narrativa de uma pandemia contagiosa, de origem incerta, sem ser do profético Covid, em que de repente algumas pessoas ficam cegas, ao ponto de terem de ser isoladas da sociedade, em confinamento obrigatório num prédio. Embora cegas, elas acabam por cometer entre si os mesmos vícios das pessoas que veem, tais como: a corrupção, a inveja, o ciúme e a violência. E por isso ele conclui a sua obra com estas palavras: “Porque foi que cegámos? (...) Penso que não cegámos, penso que estamos cegos. Cegos que veem. Cegos que, vendo, não veem.”

Até a Bíblia diz noutra passagem: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas como agora dizeis:

“ Nós vemos, o vosso pecado........

© Diário do Minho